Meus passos

Meus passos

Deixo-me ficar aqui inerte.

Relutante entre assombros,

desesperanças, tristezas e incertezas.

Pouco ficou daquelas lembranças, já tênues.

Meu corpo não aguenta mais.

Eu não tinha esse rosto de hoje,

esse rosto triste, assim magro,

Não tinha esses olhos vazios!

Refleti, relutei, desisti.

A vida não me levou,

nem me trouxe suavidade,

trouxe-me infortúnios, desalentos.

Naveguei por mares ermos,

entre brisas e ventos cortantes,

entre sonhos e paixões intensas.

Naveguei entre rupturas e sentimentos.

Alcei voos em profundas calmarias.

Destituído de ilusões, caminhei!

Caminhei estradas áridas sinuosas,

não alcancei abismos ou espantos.

Meus passos me levaram nesses descaminhos,

sem marcos nem paisagem, sem regresso.

Viajo essa viagem sem ilusão, sem rumo.

Levo meu destino, meus versos, minha solidão.

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