Meu amor, minha fome!

Repousas nessa noite escura, órfã de afeto!

Chegaste frágil e lentamente, nesse quarto…

Teu refúgio, teu oásis, nessa casa tépida,

recostando teu corpo nessa cama desalinhada.

Amanheceu outra manhã de terra molhada.

Choveu silenciosamente, sem urgência.

Entre lençóis, entre lembranças, ousamos!

Feito amante, despi teu corpo, entreguei-me!

Aceitaste meu amor, meus deleites, minha fome.

Envolto no calor desse amor, embriaguei-me.

Chegaste sem pressa, tecendo tramas, deslizante.

Te aqueci com o calor que meu corpo reservava.

Depositei na tua boca tanto beijos, beijos intensos.

Inquietações e tremores, entre vícios e gemidos.

Embriaguez, despojamento, entre descuidos,

imprudências inundando desejos e loucuras.

Aturdidas carícias nutriam minhas mãos afoitas.

Minha boca generosa passeava em teu corpo.

Gemidos, sussurros e clamores, entre beijos.

Meus demônios se libertaram, entreguei-me!

Tantas obscenidades nessa noite deletéria,

entre voos, ficaram teus cheiros, teus odores.

Em mim, o cansaço se alastrou! Quero trégua!

Quero que repouses quieta, muito quieta, outra vez!

1 me gusta