Ausência

Ah, esse meu quarto impregnado com teu cheiro,

com o hálito da tua boca úmida, nesta noite plena,

nessa claridade ofuscante, flagelando-me.

Desprovido da tua presença me torturo, me conformo.

Sinto meu corpo vacilante nesse dissabor da tua partida!

Entorpeço-me nessas reflexões de tantas noites solitárias.

Ambíguos momentos nessa ausência desse calor morno,

precipitando divagações entre recordações persistentes.

Mergulhado nessa penumbra, cinde-se esse corpo,

prostrado nessa cama de lembranças torpes, desmedidas.

Frágil, desatinado, nesse arrebatamento, entre angústias!

Monotonia furtiva nessa indolência plena!

Que fazer, nesse misterioso frenesi,

nesses escombros, nesses desencontros,

nesse desterro sombrio da tua ausência plena?

Para onde levar essa melancolia redundante?

Acalentar-me no refúgio de minhas mazelas, é o que resta!

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